A China planeja lançar centros de dados de inteligência artificial baseados no espaço nos próximos cinco anos, informou a mídia estatal nesta quinta-feira (29), representando um desafio ao plano de Elon Musk de implantar centros de dados da SpaceX no espaço.
A principal empresa espacial chinesa, a CASC (Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China), prometeu “construir infraestrutura de inteligência digital espacial da classe gigawatt”, de acordo com um plano de desenvolvimento de cinco anos citado pela emissora estatal CCTV.
Os novos centros de dados espaciais “integrarão recursos de nuvem, edge computing e terminais (dispositivos)” e alcançarão a “integração profunda de poder computacional, capacidade de armazenamento e largura de banda de transmissão”, permitindo que dados da Terra sejam processados no espaço, segundo a reportagem.
A empresa americana SpaceX espera usar os fundos de seu IPO bilionário planejado para este ano, no valor de US$ 25 bilhões, para desenvolver centros de dados orbitais de IA em resposta às restrições energéticas terrestres.
Musk afirmou no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, na semana passada, que a SpaceX planeja lançar satélites com centros de dados de IA movidos a energia solar nos próximos dois a três anos.
“Construir centros de dados com energia solar no espaço é uma decisão óbvia… o local de menor custo para colocar IA será o espaço, e isso será verdade em dois anos, no máximo três”, disse Musk.
Ele afirmou que a geração de energia solar em órbita pode produzir cinco vezes mais energia do que painéis em solo.
A China também planeja transferir o processamento de IA, que consome muita energia, para a órbita, utilizando centros de energia solar de “classe gigawatt” para criar uma “Nuvem Espacial” em escala industrial até 2030, de acordo com um documento de política da CASC de dezembro.
O documento identifica a integração da energia solar espacial com a computação de IA como um pilar central do próximo 15º Plano Quinquenal, o roteiro de desenvolvimento econômico da China.
O plano da CASC também prometeu “alcançar a operação de voos suborbitais para o turismo espacial e desenvolver gradualmente o turismo espacial orbital” nos próximos cinco anos, informou a CCTV.
A China e os EUA competem para transformar a exploração espacial em um negócio comercialmente viável, semelhante à aviação civil, além de se tornarem os primeiros a explorar as vantagens militares e estratégicas da dominância espacial. A CASC prometeu transformar a China em uma “potência espacial líder mundial” até 2045.
Mas o principal obstáculo de Pequim até agora é a sua incapacidade de concluir um teste de foguete reutilizável.
O foguete reutilizável Falcon 9 da SpaceX, rival americana, permitiu que sua subsidiária Starlink conquistasse um quase monopólio em satélites de órbita terrestre baixa e também é usado para turismo espacial orbital.
A reutilização é crucial para reduzir os custos de lançamento de foguetes e tornar mais barato o envio de satélites ao espaço.
A China alcançou um recorde de 93 lançamentos espaciais no ano passado, de acordo com anúncios oficiais, impulsionada pela rápida maturação de suas startups de voos espaciais comerciais.
Os planos da CASC foram anunciados após a inauguração, na terça-feira (27), da primeira Escola de Navegação Interestelar da China, sediada na Academia Chinesa de Ciências, com o objetivo de formar a próxima geração de talentos espaciais em áreas de vanguarda, incluindo propulsão interestelar e navegação no espaço profundo.
A nova instituição sinaliza as ambições da China de fazer uma transição estratégica das operações em órbita próxima da Terra para a exploração do espaço profundo.
“Os próximos 10 a 20 anos serão uma janela para o desenvolvimento exponencial da navegação interestelar na China. Inovação original em pesquisa básica e avanços tecnológicos irão remodelar o padrão da exploração do espaço profundo”, escreveu a agência de notícias Xinhua sobre a inauguração.
Os EUA enfrentam forte concorrência da China nesta década em seus esforços para retornar astronautas à Lua, onde nenhum ser humano esteve desde a última missão Apollo dos EUA, em 1972.
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