PEC da Segurança Pública tem futuro incerto após saída de Lewandowski

Já modificada na Câmara dos Deputados em relação ao que havia sido sugerido pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública fica com o futuro ainda mais incerto após a saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, anunciada na quinta-feira (8), na avaliação de parlamentares ouvidos pela CNN Brasil.

A PEC foi apresentada no ano passado como a principal vitrine da gestão de Lewandowski à frente da pasta. No entanto, enfrentou resistências de governadores de centro e direita, da oposição e pouco andou na Câmara. O texto atual da proposta não está mais aos moldes do texto original de Lewandowski.

Para um dos líderes da bancada da segurança pública na Casa, a tendência é a PEC perder força agora, sem seu principal defensor. No entanto, pondera que o tema ainda pode andar se for apadrinhado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que já ressaltou seu desejo de aprovar matérias de segurança.

A PEC é também uma das principais apostas do governo neste ano eleitoral, especialmente junto ao PL (Projeto de Lei) Antifacção, para o combate ao crime organizado.

À frente do ministério, Lewandowski conseguiu vitórias importantes, como o uso obrigatório de câmeras corporais por policiais em 11 estados do país e a popularização do programa Celular Seguro.

Por outro lado, enfrentou resistências dentro do próprio governo para apresentar projetos ao Congresso e tinha dificuldades na relação com parlamentares.

O pedido de demissão de Lewandowski acontece mais cedo do que Lula gostaria. Em carta ao presidente, o ministro disse ter comandado a pasta com “zelo e dignidade”, consideradas “as limitações políticas, conjunturais e orçamentárias das circunstâncias pelas quais passamos”.

Possível fatiamento

Não se descarta fatiar o Ministério da Justiça e da Segurança Pública após a saída de Lewandowski. A divisão é promessa de campanha de Lula.

Mas há dúvidas sobre o tempo e o dinheiro necessários para a medida. Independentemente do formato do ministério, o combate ao crime organizado deve ganhar peso no governo neste ano, também com o projeto antifacção em tramitação.

Mobilização em torno de veto

Além da PEC, outro desafio do Planalto será segurar o veto presidencial ao PL (Projeto de Lei) da Dosimetria que diminuía as penas dos condenados pelos atos do 8 de janeiro de 2023 e pela tentativa de golpe de Estado.

Nesta quinta, ao menos nas imagens, nem parecia que Brasília está esvaziada pelo recesso. No modo eleitoral ligado, o governo lotou o salão nobre do Planalto para o evento denominado Em Defesa da Democracia. Teve até telão do lado de fora e descida pela rampa para Lula cumprimentar a militância.

A adesão, no entanto, se limitou à esquerda tradicional. Políticos do centrão e os presidentes do Congresso e do Supremo não compareceram à cerimônia.

“Todos eles tiveram amplo direito de defesa, foram julgados com transparência e imparcialidade, e ao final do julgamento, condenados com base em provas robustas e não com ilegalidades em série, meras convicções ou power points fajutos”, declarou Lula.

A oposição agora pressiona pela análise rápida do veto do presidente Lula, na intenção de derrubá-la, em sessão do Congresso ainda sem data para acontecer. Há quem queira emplacar uma sessão extraordinária antes do fim do recesso, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não deve acolher o pleito.

O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), principal beneficiado pela dosimetria, reconhece que não consegue derrubar o veto sozinho e aposta no apoio de parte do centrão.

“Não há o que se esperar de um governo com tanto ódio. Mas, tenho convicção que, pelo acordo de líderes da Casa, vamos derrubar esse veto na primeira sessão do Congresso Nacional”, disse o líder do PL na Casa, Sóstenes Cavalcante (RJ).

Já a base governista pretende mobilizar redes sociais e ruas para tentar impedir a derrubada. Se não conseguir, a esquerda já dá como certa a judicialização do caso.



source https://www.cnnbrasil.com.br/politica/pec-da-seguranca-publica-tem-futuro-incerto-apos-saida-de-lewandowski/

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