Clube inglês surpreende e pede para ser rebaixado

Por meio de um comunicado surpreendente, o Hashtag United anunciou que pediu para ser rebaixado. A equipe, sediada em Essex, na Inglaterra, disputa a Isthmian Premier Division, equivalente à 7ª divisão do futebol do país. Spencer Owen, fundador do clube e youtuber, assinou a nota oficial inusitada publicada nessa quarta-feira (25) nas redes sociais.

No texto, o mandatário relata que as cifras do futebol profissional impossibilitam a prática no alto nível. Em tom “revolucionário”, o texto critica a maneira com que o futebol se apropria do amor dos fãs em prol do lucro. Além disso, ataca diretamente a governança dos grandes clubes e das ligas.

“O futebol se tornou vítima do próprio sucesso e, em muitos lugares, foi vendido ao maior lance”.

A nota ainda relata que a decisão foi tomada de maneira sóbria e “puramente administrativa”, com o intuito de reconduzir o projeto. A vontade dos administradores é manter o elenco atual, em busca das vitórias até o fim da temporada. Mas, com o rebaixamento como perspectiva.

“Não vamos cortar nosso orçamento nem dispensar ninguém que queira permanecer. Nosso objetivo é evitar terminar entre os quatro últimos colocados e fazer com que isso seja uma mudança puramente administrativa. Nunca irei a um jogo do Hashtag sem querer vencer — isso simplesmente não faz parte da minha natureza. Vamos cair lutando e sorrindo”, diz Spencer.

Como manifesto, Spencer Owen decreta que o futebol está “quebrado”. Ele dá a entender que a doença de todo o esporte é também a doença de toda a sociedade: o dinheiro.

“Porque a verdade é que o futebol tem um problema. Eu sinto isso há anos. Uma década dentro do jogo só deixou isso mais evidente. Acho que o futebol está quebrado. Não é controverso dizer que, em alguns aspectos, o futebol tomou o lugar da religião para muitos torcedores: estádios como igrejas, multidões como congregações. Mas, mesmo dentro desses espaços sagrados, não estamos imunes à mesma doença que afeta todo o resto. Não é o futebol que se tornou Deus. É o dinheiro”, diz o comunicado.

O Hashtag United é o 18º colocado da Isthmian League Premier Division 2025/26, com 35 pontos conquistados em 36 jogos.

Hashtag United

O Hashtag United Football Club nasceu em 2016 por, criado por Spencer Carmichael-Brown, um YouTuber de futebol mais conhecido como Spencer FC ou Spencer Owen.

Ele começou a fazer vídeos para o YouTube em 2007, quando era estudante na Universidade de Reading , e a equipe inicialmente era composta por amigos da escola e da universidade.

Após fazer sucesso na internet, ele decidiu transformar o sonho de ter um clube em uma realidade. O Hashtag conseguiu alguns acessos nos primeiros anos e passou a ter Cesar Azpilicueta como co-proprietário.

Veja o comunicado completo

O Hashtag United completou dez anos na semana passada. Sou incrivelmente grato por, há uma década, uma ideia ter encontrado o seu momento — e vocês estarem lá para abraçá-la.

Não houve campanha de marketing nem orçamento que nos colocasse diante de vocês. Nenhuma tradição familiar que tornasse isso inevitável. Nenhum código postal que fizesse do Hashtag United uma escolha óbvia. Em algum momento, vocês nos encontraram e decidiram que valíamos o seu tempo. Essa decisão é a razão da nossa existência. E é por isso que este anúncio precisa começar por aqui, porque sem a escolha que vocês fizeram, nada do que vem a seguir faria sentido.

Na última quinta-feira, no nosso aniversário de dez anos, sentei em uma sala com nossos jogadores e disse algo difícil. Vou dizer a vocês o mesmo, mas antes preciso afirmar: nunca estive tão convicto e positivo sobre a direção deste clube quanto estou agora.

Aqui vai: solicitamos que nosso time masculino desça da Isthmian Premier Division ao fim da temporada 2025/26.

Comunicamos os jogadores na primeira oportunidade possível, para que pudessem tomar decisões sobre seus próprios futuros antes do prazo de inscrição. Normalmente, o procedimento seria cortar o orçamento e dispensar atletas, muitas vezes após o prazo, deixando-os sem renda pelo resto da temporada. Não faríamos isso. Não vamos cortar nosso orçamento nem dispensar ninguém que queira permanecer. Nosso objetivo é evitar terminar entre os quatro últimos colocados e fazer com que isso seja uma mudança puramente administrativa. Nunca irei a um jogo do Hashtag sem querer vencer — isso simplesmente não faz parte da minha natureza. Vamos cair lutando e sorrindo.

Algumas informações já começaram a vazar, mas também estamos falando com vocês o mais cedo possível. Há muitas variáveis envolvidas em uma decisão como essa, e muitas conversas precisam acontecer. No fim das contas, colocamos nossos jogadores em primeiro lugar e falamos com eles antes de qualquer outra pessoa para lhes dar opções.

Que fique claro: essa é uma decisão nossa. Ninguém nos obrigou a isso. Estamos escolhendo esse caminho porque, após muito tempo de reflexão, acreditamos que ele nos dá a melhor base possível para o que vem a seguir.

Porque a verdade é que o futebol tem um problema. Eu sinto isso há anos. Uma década dentro do jogo só deixou isso mais evidente. Acho que o futebol está quebrado. Não é controverso dizer que, em alguns aspectos, o futebol tomou o lugar da religião para muitos torcedores: estádios como igrejas, multidões como congregações. Mas, mesmo dentro desses espaços sagrados, não estamos imunes à mesma doença que afeta todo o resto. Não é o futebol que se tornou Deus. É o dinheiro.

A governança do futebol é falha. As finanças são insustentáveis em quase todos os níveis. As regras já não priorizam aquilo que fez as pessoas se apaixonarem pelo jogo. O futebol se tornou vítima do próprio sucesso e, em muitos lugares, foi vendido ao maior lance.

Não há como negar que este ano foi difícil dentro de campo. A realidade é que estamos mais ou menos onde deveríamos estar, considerando nosso orçamento, em um cenário de investimentos sem precedentes na sétima divisão. Chame de “efeito Wrexham”, se quiser. A verdade é que são poucos os clubes e donos capazes de fazer o que Ryan e Rob fizeram. Para a maioria, o destino de um clube está diretamente ligado ao tamanho do bolso do proprietário e ao nível de seu entusiasmo. Quando um dos dois diminui, tudo fica incerto.

Queremos ter os melhores jogadores possíveis e atuar no mais alto nível possível — mas não às custas dos empregos da nossa equipe, nem comprometendo nossa missão de inovar e transformar o jogo. Esta temporada trouxe um grande aprendizado, e vimos que nem mesmo nosso clube está imune ao fato de que tentar coisas novas não é bem recebido quando você perde com frequência. Precisamos de um orçamento que nos torne competitivos no próximo ano, porque vamos tentar MUITAS coisas novas.

Muitas equipes acabam se esgotando por chegar perto demais do limite. Queremos jogadores que realmente queiram estar aqui. Sempre que possível, buscamos atletas que se identifiquem com nossa abordagem e queiram fazer parte dela. Queremos torcedores que nos apoiem pelo que fazemos e pela forma como fazemos. Precisamos representar algo maior do que apenas vencer.

A competição sempre esteve no nosso DNA. Muito antes de entrarmos no sistema de ligas, antes mesmo de termos nosso nome em uma tabela, já competíamos nos esports e em divisões de futebol que nós mesmos criamos, com risco e recompensa em jogo, porque precisávamos de algo real pelo qual competir. Essa fome nunca nos deixou — e não vai nos deixar agora.

O que estamos anunciando não é um recuo da competição. É uma decisão sobre onde competir e por quê, para que possamos fazer isso de uma forma que reflita quem realmente somos.

Precisamos lembrar o que nos trouxe até aqui. Sem nossa história de origem, não existiríamos — e, se nos afastarmos demais dela, não vamos apenas perder jogos, vamos perder a nós mesmos. Construímos algo real. Estamos nos mudando para um novo estádio com enorme potencial. Temos as ideias, as pessoas e a plataforma para fazer algo verdadeiramente extraordinário com nosso time masculino, nosso time feminino e os Allstars, que estão apenas começando. O maior risco para tudo o que construímos é usar mal nossos recursos e não ter tempo para utilizá-los corretamente. Não vamos deixar isso acontecer.

Não quero que nosso clube seja apenas um reflexo do meu ego ou um instrumento da obsessão de uma pessoa pela “baleia branca” que é a Premier League. Não tenho certeza se ela é o Eldorado que muitos imaginam. A tabela da Premier League no dia em que publicamos nosso primeiro jogo no YouTube prova isso: o Leicester City liderava e acabou sendo campeão. Hoje, pode estar jogando a League One na próxima temporada.

Rebaixamento é uma palavra pesada no futebol — e com razão. Normalmente traz perda de empregos e tempos difíceis. Nós somos a exceção. Descer para o Step 4 vai gerar uma economia significativa, que será reinvestida em áreas-chave do clube em um momento crucial — incluindo a contratação de MAIS pessoas, enquanto investimos fortemente em aumentar o público no nosso novo estádio. Isso pode ser a melhor coisa que já nos aconteceu, no momento perfeito.

Isso não é um rebaixamento. É uma revolução.

O que vem a seguir, vamos mostrar — não apenas falar. Sabemos que haverá críticos. Mas, felizmente, passar uma década comandando um clube chamado Hashtag United me deixou bastante confortável com o desconforto. Os resultados não serão imediatos, pode levar algum tempo. Mas estamos comprometidos em cumprir nossos objetivos e transformar o jogo no processo.

Estamos dando um grande passo — mas é assim que se conquista algo grandioso. Estamos em uma missão para tornar o futebol divertido novamente.

Obrigado por nos escolherem. Pretendemos continuar merecendo isso.

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